A composição dos solos do Planalto Paulista exige um olhar atento à resposta dinâmica do terreno. Em Franca, sobre a Formação Serra Geral, os basaltos fraturados convivem com extensas manchas de solo laterítico — um material que, apesar de competente, pode mascarar contrastes de rigidez em profundidade. O ensaio MASW (Multichannel Analysis of Surface Waves) resolve essa questão com precisão: registra a propagação de ondas Rayleigh ao longo de um arranjo linear de geofones para extrair o perfil de velocidade de ondas de cisalhamento (Vs). O parâmetro-chave obtido é o VS30, que classifica o terreno conforme a norma sísmica brasileira NBR 15421 e orienta projetos de fundações e contenções. Em uma cidade onde o relevo transita entre colinas amplas e vertentes mais íngremes, saber se o solo é classe C ou D faz toda a diferença no fator de amplificação sísmica adotado na estrutura.
O VS30 não é apenas um índice normativo: é um dado de entrada crítico para o espectro de projeto em Franca, onde solos de classes distintas coexistem lado a lado.
