O Planalto Paulista impõe desafios particulares à caracterização geotécnica, e em Franca, onde os solos residuais de arenito da Formação Botucatu se alternam com coberturas coluvionares, a distribuição granulométrica deixa de ser um dado complementar para se tornar o parâmetro que define a viabilidade de fundações e aterros. A altitude média de 1040 metros e o clima tropical de altitude, com estiagens prolongadas seguidas por chuvas concentradas, aceleram processos de erosão laminar que só se interpretam corretamente quando se conhece a curva granulométrica completa do perfil. Nossa rotina de campo em Franca demonstra que o ensaio conjunto de peneiramento e sedimentação por hidrômetro, executado segundo a ABNT NBR 7181:2016, revela frações finas não plásticas que o SPT isoladamente não detecta. Esse refinamento analítico tem evitado recalques inesperados em obras industriais no Distrito Industrial e em condomínios residenciais na região da Av. Presidente Vargas, onde a fração silte-argila frequentemente ultrapassa 30% sem que a plasticidade do material acuse o risco. Quando o solo local apresenta comportamento transicional entre areia fina e silte, complementamos a investigação com o ensaio de cone elétrico para correlação direta entre resistência de ponta e granulometria ao longo do perfil.
Em solos residuais de arenito como os de Franca, a fração silte detectada pelo hidrômetro controla a erodibilidade muito mais do que o índice de plasticidade sugere.
